Parece-me haver algum fundamentalismo na fiscalização que a ASAE tem exercido sobre o pequeno comércio e restauração. Falava-se hoje na rádio TSF, numa reportagem feita no Norte do País, na dificuldade em encontrar-se uma "galinha de cabidela", ou enchidos caseiros, entre outros "sabores" ditos caseiros. Acredito que ainda há muita gente que não sabe distinguir o sabor entre uma boa galinha caseira e um frango de aviário... e quem sabe, sabe-o muito bem e não tem dúvidas em escolher o primeiro. Então porque é que nos querem impedir de escolher aquilo que queremos comer?... António Nunes, inspector-geral da ASAE, diz que não é assim, que se pode continuar a comer galinha caseira, mas esta tem que ser abatida no matadouro... por questões de higiene. Meio caminho para a galinha deixar de ser caseira... pelo menos a sua produção. E relativamente à caça, será que a ASAE levanta alguma questão em termos de higiene?... abater um animal no meio do mato não me parece lá muito higiénico e depois, normalmente, os cães apanham-no com a boca... de higiene não tem mesmo nada!... Será que a higiene é justificação para tudo?... e entre comer um porco caseiro num restaurante da serra e um hamburguer no McDonalds. Provavelmente a ASAE fechará o primeiro por falta de condições de higiene, cujos padrões, parece-me, são muitas vezes verdadeiros absurdos. Será que a ASAE preocupa-se com os antibióticos e com os esteróides anabolizantes tantas vezes utilizados para engordar o gado, sobretudo aquele produzido de uma forma industrial?... E aquelas frutas e vegetais tão bonitos que tantas vezes vêm carregados de pesticidas?... isso não preocupa a ASAE? O importante é serem bonitos e estarem lavadinhos! Mas nós também temos o direito de escolher. Quantas vezes vou a uma tasca comer peixe assado, preterindo a higiene a favor da qualidade?!... faço-o de uma forma consciente e continuarei a fazê-lo sempre que me for possível... E prefiro comer sardinha e carapau a uma dourada ou a um robalo de aquacultura. (Não é que a sardinha e o carapau sejam "caseiros", mas são, concerteza, do nosso mar!... mesmo aquele que vem de Espanha). Se a acção da ASAE visa a defesa dos consumidores, quanto a isto, dispenso.
Mas há uma outra questão muito importante. Muito do pequeno comércio e restauração são o sustento de milhares de famílias em Portugal e o fundamentalismo da intervenção da ASAE terá como consequência o encerramento de muitos desses pequenos negócios, o que já foi admitido pela própria ASAE. Mas segundo António Nunes, em entrevista ao semanário Sol, "O drama social é da responsabilidade do Governo, não da ASAE" - como Pôncio Pilatos, lava as suas mãos. Será que há necessidade de actuar desta forma?!... Que exemplo queremos dar?... A quem?... Será que somos melhores por isso?...
Recentemente fui a um restaurante algarvio.... no final, quando chegou a altura de se escolher a sobremesa, perguntei ao empregado se tinham fruta e a sua resposta foi qualquer coisa como isto: "maçã da Argentina, manga do Brasil, cerejas de Espanha..." - "Desculpe!"... exclamei eu, "Não tem nada que se coma, daqui?"... A verdade é que não tinha. É este o País que queremos?... É este o preço que temos que pagar para sermos europeus?... A propósito, quando vou à serra comer uma galinha caseira, um jantar de grão, ou beber um vinho caseiro, fico imensamente satisfeito por saber que são produtos da nossa terra.

1 comentário:
Entretanto acontencem duas mortes trágicas: Um bebé de 2 meses morreu hoje no acesso ao Hospital de Anadia, dentro da ambulância do INEM.
Em Carregal do Sal, uma menina de 3 meses acabou também por morrer na ambulância, ao colo da mãe.
Os assassinos são o 1º ministro e o ministro da saúde!
Enviar um comentário