terça-feira, 4 de abril de 2006

Os Olhos d’Água da Ti Anica

Conta-se que a praia dos Olhos d’Água, em Albufeira, assim chamada por ter nascentes de água doce junto ao mar, era antigamente utilizada pelos agricultores para dar banho aos burros, no final da apanha da amêndoa.
Hoje já quase não se apanha a amêndoa, quase não há burros, nem agricultores e quase já não há praia de Olhos d’Água…
Os Olhos d’Água são hoje o paradigma daquilo que não deve ser o turismo no Algarve. A elevada densidade de construção turística e o desrespeito sistemático pelas zonas costeiras, acabaram por “matar” uma praia com tanta tradição popular. Só a cadeia de hotéis RIU tem lá três grandes hotéis já construídos, estando actualmente mais dois em construção, ao que parece da mesma cadeia!... cerca de 1500 quartos num curto espaço. Mas para onde é que os turistas depois vão?... para a praia?!...
Fala-se tanto na sustentabilidade do turismo Algarvio, na necessidade de uma oferta turística de qualidade e depois permite-se continuadamente estas coisas?! Quem autoriza isto?
Os Olhos d’Água são só um exemplo, muitos outros há e muitos outros hão-de vir,
infelizmente!...
As fotos que se seguem são ilustrativas deste continuado desrespeito:

Foto 1 - Hotel RIU Palace Algarve - Olhos d'Água


Foto 2 - Mais um hotel em construção nos Olhos d'Água, junto ao RIU Palace Algarve


Foto 3 - Vivendas sobre a Praia da Falésia (já se esqueceram das derrocadas de Vale do Lobo?!)

Foto 4 - Vivendas em Albufeira, junto à entrada da marina

Mas também há bons exemplos os quais demonstram que é possível construir minimizando os impactos sobre a costa algarvia - o que se mostra na foto seguinte é um empreendimento (Suiço) situado junto à Praia do Castelo. Ao lado, na Praia do Castelo, irá nascer uma mega urbanização com 500 apartamentos (v. DN de 18.Ago.2005)... com vista para o mar, claro!...

Foto 5 - Um bom exemplo (existem ali 13 blocos com 200 apartamentos no total)

sábado, 25 de março de 2006

As favelas de Loulé


Há algumas semelhanças entre as cidades de Loulé e do Rio de Janeiro. Loulé é conhecido pelo seu Carnaval, o Rio também! O Rio tem uma praia (Copacabana) com um calçadão famoso, Loulé também tem um na praia de Quarteira (bem haja!). O Rio de Janeiro tem morros com favelas, Loulé também já tem favelas nos seus cerros – a favela do cerro Cabeço de Câmara, a favela do cerro da Goldra, a favela da Goncinha, entre outras… Sim, porque da maneira como as casas lá nascem e crescem, de uma forma perfeitamente desordenada, caótica até, e em alguns casos (se calhar muitos) de uma forma perfeitamente ilegal, onde o urbanismo é palavra desconhecida, é típico de uma favela!... Reparem naquilo que se passa no cerro Cabeço de Câmara, recentemente “amputado” pela construção de mais uma vivenda, conforme se pode ver na foto seguinte.

foto 1

Um outro exemplo que nos deixa a todos nós (ou quase) perplexos e que, de resto, está à vista de quem passa pela estrada Faro-Loulé, é a vivenda em construção no cerro da Goldra (v. foto 2 e foto 3).
Como foi possível permitir fazer uma coisa destas?!... Dizem que a obra está embargada, mas como foi possível ter-se chegado até àquele ponto?!... Aonde é que estão as entidades responsáveis (Câmara, CCDR,…)?... Certamente que, mais tarde ou mais cedo, a obra vai acabar por se fazer, é só uma questão de tempo.

foto 2

foto 3

É verdadeiramente indescritível o que se observa nesta terra! Uma terra onde parece valer tudo, onde quem tem poder parece ser capaz de tudo, onde parece que as leis são só para alguns… Há algum tempo diziam-me que no mundo havia basicamente quatro tipos de regimes jurídicos: um em que tudo é permitido, excepto aquilo que é proibido por lei; outro em que tudo é proibido, excepto aquilo que é permitido por lei; outro ainda, onde tudo é proibido, mesmo aquilo que é permitido por lei; por fim o nosso, em que tudo é permitido, mesmo (ou especialmente) aquilo que é proibido por lei.
Quem deve dar o exemplo, infelizmente não o dá, acabando por ser o exemplo do mau exemplo.

Opinião da Ti'Anica: "Olé! Olá! Esta moda está mesmo muito má!"

terça-feira, 21 de março de 2006

Segurança Social de Quarteira E o Seu Sistema de Anti-Roubo


Um dia passei ao pé da Casa dos pescadores (Centro de Saúde Antigo), vi algo que me deixou perturbado. Sendo eu uma pessoa interessada nos assuntos da minha terra Quarteira, não deixando de parte este meu espírito critico, resolvi tirar uma fotografia, denunciar a situação com ajuda deste blog, mas como podem ver foi tirada de noite, pois Quarteira é muito grande mas lá no fundo continua muito pequena. E o que demonstra esta imagem afinal de contas? Um sistema de defesa medieval anti-ladroes? Bem só por si, a barbaridade da imagem diz tudo, mas eu vou comenta-la. MAS PASSA PELA CABEÇA DE QUEM COLOCAR CACOS DE VIDRO ALI ESPETADOS? Eu Ti Aníbal, digo no meu tempo não era assim, no meu tempo eram pitas em toda a volta, só as pessoas ruins é que metiam assim cacos de vidro, mas como já não estamos no meu tempo e estamos em pleno século XXI, é lamentável que se vejam coisas destas, ainda por cima num edifício de uma “instituição governamental” como é a Segurança Social. Por isso pergunto, porque gosto muito de fazer perguntas: - Será que teve alguma utilidade prática os cacos de vidro ali espetados? Pois eu, Ti Aníbal, digo que NÃO!!!! Pois pelo que me contaram a Segurança Social foi assaltada, se olharmos com atenção falta ali um bom pedaço de cacos de vidro que supostamente foram retirados pelos ladroes que foram lá fazer uma visitinha, bem a descontracção foi tal que até deu tempo para tirar os vidros e isso só foi possível, pois hoje em dia infelizmente na nossa querida Quarteira os agentes da lei não passam onde devem, a determinadas horas, mas isto é outro assunto. Logo, a procura de alternativas não tão agressivas devem ser tomadas em conta e levadas a cabo. E como a legislação acerca do assunto é um bocado difícil de arranjar pedi ajuda ao Ti Manel e o resultado foi que: Não é permitida a utilização de arame farpado em vedações, nem a colocação de fragmentos de vidro, lanças, picos, etc., no coroamento dos muros de vedação confinantes com a via pública, em espaço urbano. Por isso espero que o executivo camarário e até mesmo a nossa junta ponderem sobre a situação.

Opinião do Ti Aníbal: olé, olá esta moda está muito má e leva jeito.

quarta-feira, 15 de março de 2006

Mamarracho em Quarteira


Aproximando-nos de Quarteira quer pela estrada de Almancil, quer pela estrada de Loulé podemos observar um edifício que sobressai de todos os outros. Construído numa zona nobre de Quarteira (Abelheira) por ser uma área de expansão em qualidade da nossa Cidade, do meu ponto de vista essa expansão fica desde já manchada pelo betão e pela altura da construção por parte da Câmara Municipal de Loulé de um edifício com cinco (5) pisos e implantado num terreno que permite a sua “admiração” a vários quilómetros de distancia. Será que os projectistas e técnicos da CML alguma vez foram ao local do projecto para se inteirarem “in loco” das condições oferecidas pela localização? Será que esses técnicos contactaram com a população aí residente para recolherem a opinião dos mesmos? Será que a junta de freguesia foi ouvida ou fez-se ouvir? Deslocando-me ao local da obra, qual não foi o meu espanto por observar que a visão por parte da CML para o futuro de Quarteira é muito limitado. Ora vejamos, o edifício foi implantado deixando espaço para que a rua das amendoeiras fique reduzida a uma ruela com 10 metros de largura (7,0m faixas rodagem + 1,5m+1,5m passeios + 0,0m estacionamento). Com uma ruela com estas dimensões os futuros moradores conseguirão estacionar os seus carros? Certamente que sim, na faixa de rodagem! O Regulamento Geral das Edificações Urbanas (RGEU) refere no seu artigo nº 53 que a altura de qualquer edificação é função da largura das ruas. Assim, para um edifício de 5 pisos (cerca de 15 metros de altura) a largura mínima da rua é de 15 metros, muito além dos 10 metros deixados pela CML nesta construção. No artigo nº 63 do RGEU é dito “As CM não poderão consentir qualquer tolerância quanto aos artigos anteriores deste capítulo (incluindo o nº 53)”. Se tentarmos analisar o plano de pormenor para esta zona, verificamos que não existe. Se um particular tentasse fazer aprovar um projecto para esta zona (sem plano de pormenor aprovado) qual seria a resposta da CML? Aprovaria? Com uma ruela com estas dimensões onde estacionarão os carros os futuros moradores? Espanta-me também o facto das forças “vivas” de Quarteira não se pronunciarem sobre tal construção. BE, PCP, PS, AQUC, etc. onde estão as vossas atentas observações aos atentados feitos em Quarteira?
in A Voz de Quarteira (15/02/2006)
Cumprimentos
Ti Manel
Opinião do Ti Manel: - Esta moda está má, está mesmo muito má!

terça-feira, 14 de março de 2006

As obras da REFER (Rede Ferroviária Nacional) na Estação de Loulé


No viaduto construído recentemente (aprox. 2 anos) na Estação de Loulé, integrado na Modernização da Ligação ao Algarve (v. fotos), obra comparticipada em 80% pela comunidade europeia e que já de si não deixa de nos chocar um pouco (quase que passa por cima das casas), há duas passagens pedonais, uma em cada sentido.
Agora reparem nos acessos às passagens pedonais... ...pura e simplesmente não existem, não foram feitos!... ...uma obra comparticipada em 80% pela comunidade europeia, aonde é que está a fiscalização?!... e mesmo que não fosse, como é possível uma situação destas?!... E a Junta de Freguesia, não faz nada?!...

Da REFER não seria de esperar outra coisa, afinal de contas são pródigos neste tipo de situações.

Opinião da Ti'Anica: "Olé! Olá! Esta moda está mesmo má!"

domingo, 12 de março de 2006

Loulé, 12 de Março de 2006, 16:15
o Blog da Ti Anica, de Loulé, acabou de ser criado.
Para que serve este blog?... Acho que, sobretudo, servirá para fazer alguns desabafos... sobre Loulé, sobre o Algarve... pretende-se ser crítico, afinal de contas, todos os dias à nossa volta vemos coisas que nos incomodam, que nos perturbam... talvez seja um espaço de indignação, de repúdio, de inconformismo, de denúncia, de provocação... talvez sirva para mudar alguma coisa, quem sabe?!...
Até um dia destes.