sábado, 25 de março de 2006

As favelas de Loulé


Há algumas semelhanças entre as cidades de Loulé e do Rio de Janeiro. Loulé é conhecido pelo seu Carnaval, o Rio também! O Rio tem uma praia (Copacabana) com um calçadão famoso, Loulé também tem um na praia de Quarteira (bem haja!). O Rio de Janeiro tem morros com favelas, Loulé também já tem favelas nos seus cerros – a favela do cerro Cabeço de Câmara, a favela do cerro da Goldra, a favela da Goncinha, entre outras… Sim, porque da maneira como as casas lá nascem e crescem, de uma forma perfeitamente desordenada, caótica até, e em alguns casos (se calhar muitos) de uma forma perfeitamente ilegal, onde o urbanismo é palavra desconhecida, é típico de uma favela!... Reparem naquilo que se passa no cerro Cabeço de Câmara, recentemente “amputado” pela construção de mais uma vivenda, conforme se pode ver na foto seguinte.

foto 1

Um outro exemplo que nos deixa a todos nós (ou quase) perplexos e que, de resto, está à vista de quem passa pela estrada Faro-Loulé, é a vivenda em construção no cerro da Goldra (v. foto 2 e foto 3).
Como foi possível permitir fazer uma coisa destas?!... Dizem que a obra está embargada, mas como foi possível ter-se chegado até àquele ponto?!... Aonde é que estão as entidades responsáveis (Câmara, CCDR,…)?... Certamente que, mais tarde ou mais cedo, a obra vai acabar por se fazer, é só uma questão de tempo.

foto 2

foto 3

É verdadeiramente indescritível o que se observa nesta terra! Uma terra onde parece valer tudo, onde quem tem poder parece ser capaz de tudo, onde parece que as leis são só para alguns… Há algum tempo diziam-me que no mundo havia basicamente quatro tipos de regimes jurídicos: um em que tudo é permitido, excepto aquilo que é proibido por lei; outro em que tudo é proibido, excepto aquilo que é permitido por lei; outro ainda, onde tudo é proibido, mesmo aquilo que é permitido por lei; por fim o nosso, em que tudo é permitido, mesmo (ou especialmente) aquilo que é proibido por lei.
Quem deve dar o exemplo, infelizmente não o dá, acabando por ser o exemplo do mau exemplo.

Opinião da Ti'Anica: "Olé! Olá! Esta moda está mesmo muito má!"

9 comentários:

Anónimo disse...

Ao que parece a vivenda do cerro Cabeça de Câmara é do Sr. Mendes Bota, deputado da Assembleia da República e Presidente da Distrital de Faro do PSD… e ao que parece está numa zona protegida, integrada na Reserva Ecológica Nacional?!... mas como isto é possível?...

Anónimo disse...

Não deixa de ser curioso que esse senhor, recentemente, no dia 22-03-06, em entrevista a alguns órgãos de comunicação social, demonstrou alguma preocupação, e até indignação, com a hipótese de vir a ser explorado petróleo na costa Algarvia, nomeadamente pelos impactos que poderá causar no turismo da região, por exemplo no caso de ocorrer algum derrame de crude… Mas não consegue ver esse senhor que são precisamente as atitudes como as dele, que ao longo de tantos anos têm ocorrido na costa Algarvia, que têm destruído a região e que condenam o seu turismo?... e agora que a costa já está como está, vamos acabar com a serra e os cerros. Por favor Sr. Mendes Bota, tenha e vergonha e tenham vergonha todos aqueles que permitem e continuam a permitir que estas coisas aconteçam.

Anónimo disse...

O pessoal deve é estar com medo dos tsunamis...
É uma boa medida a propor para a comissão que vai elaborar o plano de prevenção de sismos e tsunamis na região do Algarve.

Anónimo disse...

Tb quero uma vivenda em lugar afastado dos tsunamis, mas de forma a poder vê-los! Tenho que me tornar amigo dessa gente.
Viram nas noticias que os agentes da PSP é que vendiam armas aos gatunos? Aqui é o mesmo, estas construções são aprovadas em troca de favores e influências. O tal sr. durante uns anos atravessou o deserto político, agora está de volta com força. Qualquer dia voltamos a ter o Algarve dividido em Sotavento, Barlavento e Botavento.

Anónimo disse...

o calçadão é de Quarteira se o querem só com intifada

Anónimo disse...

Só para recordar:
Quando foi proposta a construção do "Calçadão" em Quarteira, apareceram uns abaixo-assinados contra tal obra.
Inicialmente essa obra era para ser feita ao longo de toda a marginal (até à Rosa Branca), mas graças a alguns quarteirenses, ficou-se por ali. Agora, todos reinvidicam a obram como sua.
Mas não há qualquer dúvida que é de Quarteira e dificilmente sairá dali (mas com os louletanos há que desconfiar).
O que seria interessante era ver todos os “pseudo-iluminados” de Quarteira lutarem pela continuação da obra em vez de brincarem aos políticos.

Ti'Anica disse...

Em resposta ao anónimo anterior, gostaria de referir que não é intenção deste blog, ou dos seus responsáveis, fazer política, mas sim cidadania, por isso não é importante se o Calçadão é de Quarteira ou de Loulé... ele está lá e muito bem e é para todos usufruirem dele. Pena é que não vá até à Rosa Branca.
Já agora agradecemos o facto de visitarem o blog e participarem nele com comentários.

Anónimo disse...

Raros são os Homens que ainda em vida se tornaram lendas. Joaquim Vairinhos fez o calçadão e a praça do mar e ainda teve a coragem de mandar retirar a barraca central da dita imposta pelo ablidoso arquiteto, pena foi não ter imposto a sua vontade até á Rosa Branca agora vai ser muito difícil.

Anónimo disse...

Muito "ablidoso" esse senhor Vairinhos. Só foi pena não ter sido suficientemente habilidoso para ganhar a Câmara Municipal de Vila do Bispo. Talvez assim não o apanharíamos outra vez.